28.10.15

É preciso ter (carro) para ser?

Não.

Na nossa sociedade, está muito enraizada a ideia de que ter carta e carro é como que uma obrigatoriedade assim que se atingem os 18 anos.

Como se a vida só fizesse sentido e só fosse realmente vida e alguém efectivamente adulto se conduzisse um carro, automóvel esse, que estranhamente muita pouca gente se lembra, por exemplo, ser um agente poluente poderoso, mas isso agora não interessa nada...Ao que parece ter pendor para a defesa do ambiente é tender para posições extremistas... e assim por estas e por outras se vê como temos as prioridades tão trocadas e andamos tão confusos. Que feio que é ser um extremista desses que acham que devíamos deixar mais o carro em casa, não matar animais por diversão, reciclar por respeito e não mandar papeis para o chão.

Sempre que alguém me pergunta se tenho carta/carro é com alguma estranheza que recebe geralmente a resposta.

Às vezes e embora percebam perfeitamente as razões que eu ainda teimo em dar (como se tivesse de me justificar/pedir desculpa!, um mero sinal de imaturidade no fundo), por estar a ir contra o status quo, e estou não é? ainda continuam a olhar para mim como se estivessem frente a frente com um residente do distrito 9. Verde, estranho e repugnante, ou verde, atraente e apetitoso, para quem se interessa por coisas gosmentas, como políticos. (esta foi completamente desnecessária, reconheço)

Não pretende este texto ser uma critica a todo o ser humano à face de portugal que tem viatura própria, porque de resto percebo como é evidente, a necessidade de em certas vidas se ter um carro, sou é, porém absolutamente contra concepções de que se deve ter um carro porque "faz parte", porque os outros têm, porque dá estatuto, porque é impossível viver sem carro. Lamento mas num número significativo de casos não é impossível.

Eu vivo em Lisboa (distrito) como muita gente. De resto muita gente vive em portugal em cidades/distritos muito populosos e densos onde a rede de transportes públicos vai funcionando de acordo com as necessidades, o que não acontece de todo, por outro lado, nos meios pequenos é certo, onde por via de os utilizadores serem poucos, os transportes são muito escassos e em horários muitos dispersos, sendo ai muitas vezes imprescindível ter uma viatura própria de forma a se ter um dia a dia minimamente flexível, tornando-se ter carro uma forma evidente de se obter melhor qualidade de vida.

Em Lisboa os transportes públicos levam-nos a todo o lado, nem sempre à porta, mas a grande maioria dos destinos, é claro que existem exceções, é alcançável facilmente de transportes.

Os supermercados hoje em dia têm serviços de entrega gratuita se gastarmos mais de x€, e caso não gastemos o valor a pagar também não é exagerado.

Não ter carro também significa menos uma despesa no orçamento anual, bastante significativa por vezes.

Esta não é uma apologia de que é mau ter um carro, mas é a defesa de que não, não é imprescindível muitas vezes, há vida para lá de se ter um carro, há viagens, há comodidades dos tempos modernos, com resultados semelhantes.

E é só.