20.1.15

É possível ser carneiro e comer raposas?!

Pode haver quem pense ao ler este blog que sou uma pessoa de mal com a vida. Não sou. Sou só uma pessoa de mal com metade do mundo, dois terços, nove décimos? Não sei, o mundo é tão grande e eu faço-me tão pequena...

Não quer isto dizer que não sei apreciar o que é bom, bonito e barato, que não sei valorizar o que vale a pena, que não sei achar graça a isto tudo. Para que se saiba acho imensa graça a isto tudo. Mas tenho predisposição para a irritação, para o escárnio e para o maldizer.

Há muita coisa que me chateia, há muita coisa que se eu mandasse...ainda bem que não mando, porque de tanto querer fazer avançar faria regredir, não existiria.

Na meu regime ditatorial havia muita coisa que deixava de existir e havia uma coisa que era o mandamento máximo, o respeito, esse cliché, esse conceito batido, essa coisa que mudaria a nossa vida irremediávelmente se um dia fosse realidade...sou realista, nunca vai acontecer, era preciso isto explodir e nascermos de novo...não vai acontecer pois não?

Nem sempre a esperança me assiste, também porque por mais que queiramos ser a mudança que desejamos ver no mundo, há luz e água para pagar...e pela luz e pela água penamos, resignamos-nos, dizemos que sim, quando o que queríamos era mandar ir comprar carne ao talho. Pela luz, pela água, pela casa para morar, pela comida para não morrer vamos dizendo que sim a tudo...

E pelo caminho deixamos para trás princípios, valores, a dignidade e quando vamos a ver o que sobra é o carneiro que aceita, que paga, que consome, que se mostra, que se vende, que se cala.

O que sobra também é a raposa que se tiver de saltar a cerca salta, que se tiver de esfolar esfola, que se tiver de matar, mata.

Não quero ser raposa mas muito menos carneiro...

Há uns anos a pergunta que imperava era sobre o que queríamos ser, respondíamos ingenuamente uma profissão qualquer, há um anos atrás a vida era simples, agora a pergunta que se apraz é outra:

Vais ser dos que desistem ou dos que insistem em lutar? Se calhar é altura de decidir, será que há testes psicotécnicos para isto?

PS só para a minha mãe!: Mãe tá tudo bem! :)