12.1.15

Beleza a custo zero


Ainda tenho os meus fantasmas, alguns já muito raramente me assombram, outros estão constantemente a travessar paredes.

Ainda sinto várias pressões para ser, para fazer, para mostrar, ainda lido com o meu apelo interno ao consumo de coisas de que não preciso, mas que vão servindo como distracção quando falta conteúdo efectivamente prazeiroso na vida. A vida cosmopolita, onde tudo é tráfego e transito, que nos cansa e que nos apresenta sempre como solução coisas para comprar, como sendo esse o caminho mais fácil e directo para a satisfação. É mentira e todos o vamos sabendo e esquecendo, sabendo e ignorando.

O dinheiro traz felicidade na medida em que cumpra a nossa necessidade de segurança, depois está dependente das nossas restantes necessidades, que para existirem dependem da motivação que tenhamos para viver.

Mas este post não é sobre isto é sobre dicas de beleza a custo 0, vamos lá então:

- escolher muito bem os conteúdos que se vêm na televisão, muitos deles têm como efeito colateral causar falta de confiança, maleita que gasta muito dinheiro

- perceber que respeitar o corpo é aceitar que o desgaste faz parte, envelhecer é bom sinal. Por acréscimo fazer escárnio de toda a publicidade que mina a confiança das mulheres face ao passar dos anos.

- o amaciador de cabelo é um produto sobrevalorizado, sempre usei, achava que não me conseguia pentear sem ele, não uso desde há uns 4 meses, não me caiu a cabeça.

- beber água substitui o creme das pernas, o dos braços, o do corpo todo, aquele dos calcanhares também, assim como o dos lóbulos das orelhas.

- tal como os homens não se medem aos palmos, as mulheres não se medem a mamas, a rabos, a pernas, a barrigas, toda a gente se mede somente pela humanidade que tem dentro

- assimilar de uma vez por todas que a beleza é indiscutivelmente agradável e uma qualidade para a qual tendemos, mas é sempre oca.

Bem não tenho mais, ou até tenho mas não me apetece dar, até porque acho que não seriam muito bem recebidas. Há coisas que de tão repetidas se tornaram dogmas e contra dogmas não há argumentos.

Mas aproveito para contar uma história: ontem estava a ver um programa de televisão daqueles de descobrir talentos que nunca serão aproveitados para nada. Os mesmos canais que os promovem são os que ocupam a sua grelha com mediocridade atrás de mediocridade. O mesmo país que os acolhe é aquele que não os dignifica.

Embora goste de ver pontualmente esse tipo de programas pelo facto de mostram que há muito potencial e pessoas extraordinárias, e isso é uma lufada de ar fresco que traz em si esperança, entristece-me o facto de promoverem por acréscimo muitas vezes a esperança vã, mas continuando.

Uma rapariga muito bonita de ar simpático fez a sua apresentação, os jurados acharam que ela embora tivesse potencial ainda não tinha alcançado o nível exigido pelo programa para passar à fase seguinte. Mandaram-na embora. Porém continuaram a debater e decidiram chama-la de volta com base em ser bonita, e a conversa não passou disso: "-ah mas é tão bonita...", "-pois é, pois é...", "-vamos dar-lhe uma oportunidade!"

E foi assim...a meritocracia pode ser relegada pela beleza, mas não me vou alongar, as conclusões que se podem tirar, todos de uma maneira ou outra as vamos tirando na vida.

A arbitrariedade comanda a vida, mas não poderia nem deveria ser de outra maneira.