22.1.15

Jesus, Moisés e Maomé


Quem comigo priva sabe que a minha religião hoje é o cepticismo, mas as minhas raízes e a minha pátria são católicas, será que são? e o catolicismo está por todo o lado. Mas convenhamos que pouco dele seja praticado com outro fim que vá além do benefício próprio. Dai surge uma questão, será que está mesmo por todo o lado?

Estou numa aflição, tenho o direito de reivindicar por salvação. Pois. Issó não é ser católico.

Muitos, a maioria? agarram-se à religião por medo, mas a religião não é sobre a nossa fragilidade, embora também a aborde, de resto o que é relevante é que entre o medo e a morte há a vida para se viver, e entre o medo e a morte só pode bater com punho fechado no peito quem viver segundo os princípios da fé que diz professar, porém curiosamente, esses serão sempre justamente os que não batem.

Para mim o bom católico ou por outras palavras, simplesmente a boa pessoa, não é o que vai á igreja, casa na basílica, baptiza com pressa. Para mim o católico é o que pratica a bondade. Claro que para a santa sé o católico é o que faz isso tudo, o que cumpre as burocracias e o que pratica os princípios, nada contra, só pode ser sócio quem paga as cotas, só é católico quem segue os preceitos.

Se não podemos dizer que somos futebolistas que não praticam futebol, também não podemos dizer que somos católicos não praticantes, e não me venham com argumentos porque quem me ensinou isto foi a minha catequista e ela sabia do que falava, alguma coisa forneço o contacto. Mais uma vez voltem-me a perdoar a franqueza mas a nossa crença individual feita à medida do que nos der jeito, não consuma a igreja católica. Ter medo não é ser católico.

E sim apesar do mundo, a vida, a sobrevivência, serem matérias complexas a bondade é sempre uma escolha, não prejudicar ninguém é sempre uma opção, o respeito é sempre uma possibilidade, isto, esta postura, junto com ir à igreja é ser católico, isto, esta maneira de viver, sem ir à igreja e sem ter grandes crenças é ser-se um ser humano a sério, consumado em humanidade.

Se fossemos tantos verdadeiros católicos, muçulmanos, judeus, como se diz por ai que somos, vivíamos no paraíso, e ao que parece isto está mais a tender para o insuportávelmente quente, porque para lá de Paris, citando um exemplo e porque está na ordem do dia, há mais mundo, e o mundo tem tanto de bonito como de feio, e se o feio é preciso para valorizarmos o bonito, uma coisa é certa não precisamos de ser nós a cria-lo, a natureza é grande e hade sempre garantir-nos isso.

Aqui portanto desde já se clarifica que não, não andam por cá nesta terra ao pé do mar plantada 9 milhões de católicos. Temos por cá tanta gente corrupta, mal intencionada, que maltrata, que manipula, que se aproveita, que prejudica, que é gananciosa, que humilha, que ostraciza, que destroi, e toda esta gente só é católica volto a frisar nomeadamente para o santo papa se cumprir tanto as burocracias como os princípios, sabem quais são não é? (atenção, estas provocações não se destinam aos meus leitores, só expressam a minha raiva) Não chega ir á missa bem vestido ao domingo e a seguir dar gorjeta na marisqueira.

Enfim se sou céptica em relação ao divino, ao metafisico, ao inatingível, às entidades que tudo podem, que tudo controlam que tudo sabem isso é irrelevante e é problema meu, mas na verdade o que interessa é que não o sou no que diz respeito aos dogmas das religiões bem intencionadas, a justiça, o respeito, o amor, esse que traduzido por miúdos não passa de empatia e bondade, compreensão e aceitação.

De resto o que interessa neste artigo muito mais do que tudo o que disse é a imagem que está lá em cima.