12.12.14

O consumo, o consumismo e o Natal Oh!Oh!Oh!



Eu consumo, tu consomes, ele consome, nós consumimos, eles consomem. Tudo a toda a hora, por querer ou porque tem de ser, porque é preciso, porque isso é viver?

Existe uma diferença, aliás várias, entre consumo e consumismo e uma maior entre consumirmos e sermos consumidos.

Quando consumo estou a fazer juz ás minhas necessidades, que são mais ou menos extensas quando mais ou menos me tenho deixado consumir.

Quando sou consumida, estou a ser manipulada, rebaixada, tomada de ponta, ridicularizada, estigmatizada. Sinto-me consumida quando me dizem que a minha pele podia estar mais brilhante, os cabelos mais sedosos, não devia ter celulite, há cremes muito bons, devia estar bronzeada, devia ir de férias para o brasil, devia beber bebidas alcoólicas, devia querer estar mais informada, devia comprar uma nova almofada. devia beber mais leite, podia ficar mais magra, devia fazer mais bolos.

O que é certo eu sei é que o consumo dá emprego, o consumismo dá ainda mais, muito dele desumano, o consumo permite que o mundo continue o mesmo, o consumismo vai levar o mundo à devastação. O consumo dá dinheiro, o consumismo faz bilionários. O consumo faz parte da vida, o consumismo suga-nos a existência, o consumo mantem-nos vivos, que comer e ir ao médico também é consumir, o consumismo está a enublar-nos a visão, a razão, o coração. O consumo faz parte, o consumismo está a transformar-nos outra vez em selvagens.

Uma coisa é certa, tanto o consumo quanto o consumismo cansam. Há muitas coisas, muita diversidade, muita criatividade e isso é bom, há muitas coisas, muita diversidade, muita criatividade e isso é mau.

Da minha parte um dos métodos que coloquei em prática para me sentir menos oprimida pela mais de metade do mundo que quer que eu seja consumista, foi ignorar alguns dos seus meios de comunicação, mais do que ignorar, fazer por lhes sentir repulsa também, sendo que entre muitas industrias uma das que me causa maior irritação é a da beleza.

Outro dia dei por mim a pensar, espera lá, então mas os homens, grande parte, não usam creme absolutamente nenhum, nem na cara, nem no pescoço, nem nos braços, nem nas mãos, nem nas pernas, nem nas nádegas, nem nas cutículas e estão tão bem, com uma pele de aspecto hidratado, com umas rugas que dão gosto...como é isto? 

Se tivesse nascido homem o mais provável era nunca me assolar o espírito o facto de em 25 anos só ter posto creme nas pernas meia dúzia de vezes, coisa que já me fez questionar sobre se era uma mulher a sério...ao que parece mulheres de m grande preocupam-se com o estado da derme.

A propósito, tenho pelos nas pernas. Será que sou um homem e não sei?!

Bem é Natal, querem consumir-nos até às entranhas. É Natal e nós queremos demonstrar afecto, agradar, surpreender, ajudar com algo que faça falta. É Natal mas os cordeirinhos são comidos pelos lobos. É Natal e embora muita coisa vá mal nesta bola que já só é colorida nas mãos de uma criança, por muito complexo e complicado que isto seja, é assim que vivemos, é assim que calhámos viver.

Não temos culpa, foi a história, a evolução, a inteligência que nos fez isto...Seremos sempre e desde sempre vítimas do dia específico em que nascemos, num local certo, à hora da jornada.