6.10.14

Spoiler profissional: Amigos Improváveis (Intouchables)


É um filme tocante, sem chocar, impressionantemente leve em simultâneo, bastante bem humorado. Aborda sem chegar perto de ser moralista o preconceito e coloca em evidência uma coisa bastante relevante, o facto de nada valerem estudos, estatutos, pedestais em determinadas áreas, se não em todas, se não existir vocação efectiva e o que consuma a vocação é fazer-se o que se faz pelos motivos certos, é querer trabalhar-se em determinada área por uma razão forte que esteja em conivência efectiva com o fim dessa área. Os médicos salvam pessoas, os médicos devem ser médicos por desejo de ajudar ou similar, qualquer outra razão não chega e terá consequências possivelmente para gente a mais.

Neste caso, no caso deste filme, não existiu nenhum motivo certo, mas existiu a maneira certa de lidar, uma maneira marcada pela espontaneidade e pelo bom astral.

Nesta história verídica os protagonistas são um homem rico, tetraplégico, e um rapaz que vem de um contexto complicado e que demonstra apesar de total inexperiência naquilo que vai fazer, ou seja sem nenhuma teoria metida à mistura, estar à altura do desafio pela naturalidade, espontaneidade, entusiasmo com que se dedica ao que por obra do acaso lhe caiu nas mãos.

Voltando aos motivos certos para se fazer o que se faz, entendo que o prevalecimento de desejos de dinheiro, estatuto, segurança, controle não consumam as razões certas para se ser médico, professor, educador, terapeuta, enfim e tudo o resto.

É muito raro os fins justificarem os meios.