2.9.14

Sobre POUPAR e sobre o porquê de poupar

Quando se quer mesmo mudar alguma coisa, tem de se querer muito, tem de se querer de verdade.

A realidade também e falo por experiência é que raramente queremos coisas de verdade, do fundo do âmago, a partir do lugar recôndito onde mora a motivação efectiva.

Se bem que às vezes queremos coisas de verdade mas queremos várias ao mesmo tempo e não temos força para lidar com todas.

Às vezes queremos coisas de verdade mas não estão ao alcance dos nossos esforços e demora até que o reconheçamos, mas não o reconhecer pode levar ao sucesso.

Poupar é um dos hábitos que se podem adoptar se o quisermos, temos de querer de verdade é certo e implica esforço, mas vale a pena porque aprender a poupar mais do que tudo permite que deixemos no fundo de ser escravos do consumo, essa maleita que moí e mata.

A questão da poupança não representa apenas o acumular de verbas para gastar mais tarde, em coisas mais dispendiosas, em eventualidades, em presentes ou experiências enriquecedoras, embora efectivamente o possibilite.

Representa auto-controlo e resiliência, paciência, definição de prioridades, escolhas ponderadas, capacidade de gerir, ajuda a alicerçar a capacidade de lidar com situações em que o dinheiro esse vil instrumento de controlo escasseie.

Dai a importância de usar o dinheiro como um veiculo de praticar o auto-domínio e de tentar que o livre arbítrio seja uma realidade apesar de todo apelo à compra a que somos diariamente sujeitos. A questão é: devemos lutar para possuir o dinheiro em vez de ser ele a possuir-nos a nós como um espírito maligno que nos come o cérebro.

Para mim só existe uma maneira de poupar que funciona, fingir que se ganha menos do que se recebe num mês, o que significa tirar dinheiro e colocar de parte assim que o dinheiro cai na conta.

Métodos como poupar o que sobrar geralmente não resultam. Vivermos acima das possibilidades que o nosso ordenado possibilita também não permite poupança, porque nunca vamos ter dinheiro suficiente e há que cortar no que é supérfluo, sendo que o mesmo é muito pessoal.  É claro que para quem recebe o ordenado mínimo o surpérfluo a maior parte das vezes não existe, mas por muito pouco que se consiga colocar de lado ao fim dos meses com a poupança torna-se possível quebrar de alguma forma a rotina o que é essencial.

Porém apesar de poupar ser essencial para uma relação equilibrada com o dinheiro, e de dentro da poupança ser ideal termos sempre um valor a partir do qual não mexemos e que se destina a crises, o dinheiro deve ser usado, poupar para o primeiro milhão numa vida de abnegação, restrições, plena frugalidade é contra producente para a saúde mental.


De resto antes de definir o montante a colocar de lado no início de cada mês e que deve idealmente ser o mesmo para que nem tenhamos de pensar muito sobre o assunto, excepto em meses em que os gastos previstos sejam acima do normal, regresso às aulas, Natal, etc, é bom determinar-se um montante de extras para além dos gastos fixos, que tenham a lógica de uma semanada, e que se destina ao usufruto da vida, a comer fora, a ir ver uma peça de teatro, ir ao cinema, cafés e pequenos almoços fora, tabaco, qualquer coisa de que se precise mesmo.

Fazer as coisas com peso e medida gera equilíbrio e o equilíbrio gera paz interior, esse diamante bruto, mais realista do que a busca incessante pela plena mas utópica felicidade.

Bem agora vou-me obrigar a fazer exercício que no fundo era o que devia estar a fazer à mais tempo em vez de estar para aqui com coisas :)