30.9.14

Rubrica: Spoiler profissional: Maléfica



Pois é que nem só de coisinhas de culto e não sei quê vive o homem. Mas isto da Maléfica me ter aparecido na cama tem uma história engraçada.

Somos uns procrastinadores de filmes, eu e o Davi, mas este fim de semana enchemo-nos de força de vontade e foram dois.
Bem eu enchi-me de vontade e passei mais de meia hora a insistir baixinho a berrar para ele me aparecer na cama com uma porcaria de um filme de uma vez por todas. E assim foi. Ele apareceu...com a Maléfica, alta mas esguia, ao que parece a unica que coube na pen disse-me ele! Mas que raio de merda de pen é essa, disse eu, manda isso fora! onde é que estão as nossas 1001 penes?

Não interessa, o que é certo é que fui extremamente preconceituosa com a Maléfica e vi-me obrigada a engolir todo o meu desdém. De vez em quando acontece e não é nada doce.

A deusa, a Angelina, também nem sempre se vende por grande coisa e tenho sempre receio, que se à coisa que abomino é perder tempo, sossegadinha, a arranjar um belo de um torcicolo deitada na cama a olhar para um portátil, por causa de um filme.

Se tal acontecer no cinema então, só ainda não subi paredes.

Bem mas agora o filme. É interessante. Evidência duas coisas através de uma história de encantar, com o cliché do universo de nicho das princesas e dos principes, duas coisas essas que nem sempre nos facilitam a vida, a tomada de posições. Por um lado mostra que as pessoas são o que são por via das suas experiências e por outro constata o que só não sabemos se formos muito ingénuos, e que se prende com quase ninguém ser 100% mau ou 100% bom.

Ou seja existem razões para uma bruxa ser bruxa, pois ninguém nasce com esse legado, assim sendo uma princesa pode ser bruxa.  Existe também quem pareça ser bruxa e não o seja, existem bruxas que não são boas nem más, existem umas que apesar de assustadoras até são quase só boas. Por exemplo a Mcgonagall do Harry Potter, concordam?



Outra coisa que o filme aborda é que o amor existe para além do casal apaixonado, do principe e da princesa loiros, bonitos, magros ou até verdes e fionos como no Shrek. É que podem existir nomeadamente amores mais genuínos do que aqueles que podem advir da paixão. Amores que nunca foram paixões como é o caso do amor que a maioria das mães nutre pelos seus filhos.

Ainda outra coisa que o filme aborda é sobre como a ambição pode cegar, pode destruir, pode impedir a felicidade, pode inviabilizar a amizade e até na verdade o efectivo amor próprio.

O que me chateou no filme é não haver nenhuma personagem masculina que fizesse sombra à beleza da musa, achei mal, gosto muito dela, mas uma coisa da Disney sem um moço assim mesmo jeitoso...bem não estava no écran mas estava quiçá ao meu lado ;)

Enfim, gostei, tudo fica bem à magnífica! Chapéus aos montes, casacos de peles, saias rodadas, enfim, mantos de bruxa.