16.9.14

Posts patrocinados vs blogs patrocinados, ou sobre como a ambição pode ser destrutiva

O mundo dos blogues tem o poder de nos surpreender, encantar, aumentar os pontos de esperança na humanidade, mas também horrorizar, fazer sentir vergonha alheia, nutrir vontade de colocar umas bombinhas posicionadas no centro de uns quantos teclados perniciosos.

Ganhar dinheiro com um blog, e existem vários meios de o conseguir, considero-o perfeitamente normal, positivo, uma evolução natural proveniente do sucesso de se ter uma página lida, falada, apreciada.

Porém passar-se de um blog genuíno, pessoal, a tender para a despretensão para um blog de embaixador de marcas, faz-me a maior parte das vezes deixar de o ler.

Quando se perde o carácter genuíno perde-se tudo, não há nada mais bonito de se ver do que a verdade nas pessoas. Só existe uma maneira de se chegar perto ainda que ao longe, da liberdade, viver sem máscaras.

Há pessoas e blogues seus primogénitos que não nasceram para a verdade e muito menos para a liberdade, dado que intencionalmente escolhem distanciar-se ainda mais dela, mas os que nasceram direitos e que tarde se entortam é pena.

Mas e um post patrocinado nunca fez mal a ninguém, dois ou 3 são a conta que deus fez, mas pior do que ter um blog carregado de posts patrocinados é tentar fingir que o não são, é ridículo, é uma afronta, é achar que as pessoas são tontinhas e partir desse principio pode sair-nos caro.

Já li posts patrocinados bem escritos, explícitos, em que a opinião das pessoas sobre as coisas parecia efectivamente verosímil e fazia sentido com o resto que já sabíamos sobre elas, esses quase que nem os tomo como publicidade embora naturalmente o sejam.



Gostar de marcas, gostar de produtos não tem mal, toda a gente vai tendo insígnias com as quais simpatiza mais ou menos e as razões são várias, mas vender um blog à publicidade é contra producente, em alguns casos o caminho para a destruição. Aliás vender a alma ao consumismo, diferente de consumir, nunca vai ser um bom negócio.

Toda a gente se compra, mas toda a gente pode decidir até que ponto é que se vai deixar comprar. E vendermos a verdade para fazer apanágio da mentira, quiçá por vezes vender até a dignidade é coisa que acho mal, mas é claro que também tenho um preço, Olá Ikea! Precisava ai de uns móveis para a sala sff!

Atenção que eu nunca disse que fazia sentido...