9.9.14

As pessoas são feitas de carne e osso, olheiras e rugas, mau hálito e suor, lágrimas, sangue, todas, sem excepção


As pessoas querem-se genuínas, com valores, sensatas, empáticas e altruístas, focadas, baseados no mais elevado dos princípios, o respeito. Antes de mais por si próprias, depois por tudo o resto, pelo o pássaro lá fora, pela pessoa que recolhe o lixo, pela árvore que nos permite respirar, enfim clichés á parte, as pessoas querem-se como nos discursos das Miss Mundo, muito pacificas, com muito amor e claro sem fome.

As pessoas não se querem perfeitas, irrepreensíveis, irrepreensivelmente depiladas, com peles lisas e unhas que dão gosto, cabelos sedosos, bochechas coradas, rabos salientes, barrigas inexistentes. Não é nisso que reside o valor efectivo de uma pessoa.

Não quer isto dizer que não faça sentido colocar uma máscara no cabelo, ir à manicura arranjar as unhas, ir ao ginásio e por acréscimo favorecer as formas do corpo, são coisas corriqueiras.

A questão que é pertinente prende-se com as motivações dos actos e com a ingenuidade das acções.

Há mil e uma razões para se ir ao ginásio, as que se prendem com impressionar são ingénuas
Há mil e uma razões para se ter as unhas arranjadas, achar que nas unhas reside valor acrescentado, uma mentira com que nos pintamos todas a manhãs.
Há  mil e uma razões para achar alguém inspirador, digno de mérito, com valor, idolatrável, a beleza não é uma delas.

O talento não é filho da beleza, não depende de quão bonito se é, não depende de olhos pestanudos e cabelos brilhantes.

Naturalmente que considerações sobre como seriamos tão mais o que quer que seja, quiçá plenamente e para sempre felizes, se tivéssemos x e ficássemos y, são fruto principalmente do sistema económico em que estamos inadvertida e indelineávelmente presos, onde não passamos de moscas envolvidas na teia desde o momento em que sentimos a dor de nascer.

Mas as mulheres, por muito que lhes tentem dizer que podem ser mais que isso, são apenas mulheres e sempre o serão e não deusas, abaixo se pode ver que a realidade mata os mitos, sempre, inequivocamente. Elas são apenas mulheres e são bonitas, mas não imaculadas quais virgens em altares dourados.

Que nos preocupemos com o estado nos nossos calcanhares, que de tanto andarmos ficam calejados não é anormal, mas tal como as mulheres são mulheres e não deusas, ao pé do que realmente importa na vida, o estado os calos nos nossos pés são uma coisa irrelevante.

Mas e o que é assim tão relevante? A paz de espírito.