7.8.14

Sobre uma coisinha mainstream

O amplamente divulgado, conhecido e aclamado numa sociedade não é necessariamente bom. O livro que resmas leram, que estava em destaque em todas as livrarias, que acalenta discussões apaixonadas de fans acérrimos pode não ter uma folha que se salve, são tantos e tantos os fenomenos em que o mau tem tanta adesão que os lúcidos se começam a pôr em causa.

 Mas sou eu? O problema é meu? Sou eu que não percebo?

Não sei se é o caso ou não de resto, da publicação de que falo abaixo e de resto também não quero saber, porque ver porno sai mais barato.

Porque é que as 50 Sobras de Grey nunca deviam ter saido do submundo das leituras secretas de cama antes de ir dormir para aliviar o stress?

É um livro sobre mulheres submissas, subjugadas, escravizadas, é sobre uma tara, um fetiche, um devaneio que só cabe num contexto de cama, fora dele é horroroso.

É sobre homens que dominam, que coagem, que se divertem, é sobre predadores sexuais?
Os homens serem "porcos bonitos e maus" já é aceitável porque a beleza desculpa tudo?

                                   

Dentro dela, da cama, é um livro sobre sexo, fora dela é sobre estupidez e degradação humana num grau de desenvolvimento bastante avançado.

O livro em si provavelmente não está mal escrito, pelos vistos empolga e ainda faz uma coisa magnifica, excita, que mal é que isso tem? Nenhum, é optimo, não é o género literário que me causa aversão.

Na verdade o problema não está nem nunca esteve no livro naturalmente, é mais um de muitos no género, o que está em causa não é o livro, é haver tantas mulheres a acharem que já não faz falta existirem tabus, principalmente se não estiverem na moda. (Espero que nunca apareça por ai a de não se usarem cuecas).

Porque somos modernas, estamos no século XXI, num país onde temos essa coisa tão linda, a liberdade de expressão e outras, porque o mundo está tão moderno, tão evoluído, tão liberto de convenções e tradições patéticas, porque agora podemos chafurdar na merda mas não faz mal porque somos livres e fazemos os que nos apetece.

O problema está não no livro mas em existirem mulheres sem descernimento suficiente para pensarem que pode ser perigoso andarem por ai pelos metros do mundo a lerem livros sobre gostar de levar à força, com uma protagonista masoquista e um protagonista sádico, porque como está na moda e todos leêm o seu teor é irrelevante.

À parte se calhar sou só eu que acho que mostrar é mais vulgar que insinuar. (sei que não sou!) Para além de que mostrar está ao alcance dos olhos dos asquerosos todos, esfarrapados e sem dentes, para quem se olha com ar ofendido, tanto como ao alcance dos bonitos para quem nos "desanrranjamos".

O problema é existirem mulheres a darem o grito do epiranga, sobre como a sua sexualidade é uma coisa normal, de que se orgulham. Sexo é uma coisa de que gostam. Não tenho nada contra o conteúdo do grito, subscrevo por baixo baixinho, tenho contra o facto de ser gritado, no geral o que me incomoda no geral é tudo ser tão gritado, mas tão pouco pensado.

Porém tudo isto não passou de um grito mas em silêncio que está escrito.
Grito muito comigo mesma, mas a maior parte das vezes para dentro e não incomodo ninguém.

Se este post também é sobre o pragmatismo e não sei quê? claro que sim, a conclusão é:

Não comprem livros porno se querem poupar uns trocos, vejam na internet que sai mais barato, de facto não dá é para ver no metro, até ao dia, claro.

Aqui fica um artigo de entre muitos que explica melhor do que eu, porque é que o mediatismo a nível mundial de um livro deste teor é perigoso.

http://expresso.sapo.pt/sombras-de-grey-erotismo-ou-violencia-domestica=f825836

A violência contra as mulheres não é uma coisa do tempo dos nossos avós, e aclamar o que a possa quiça fazer parecer admissível é contraproducente.