19.8.14

Sobre como Londres cumpriu as expectativas

Este ano fui a Londres, foi uma viagem muito ambicionada que acabou por ir sendo adiada nos anos anteriores e substituida por destinos mais em conta.

Tinha muita curiosidade em conhecer uma das cidades "centro do mundo", se bem que é certo que todas as cidades são o centro do mundo para quem lá vive.

Esteve à altura das minhas expectativas em todos os aspectos. A heterogeneidade das pessoas é bonita de se ver, a beleza da diferença está por todo o lado, em todos os traços faciais, modos de vestir, modos de viver, se bem que esses não são perceptíveis numa abordagem meramente visual.

Tenho pena, de resto sempre que viajo, de não ficar mais tempo, para poder perceber melhor as coisas, as diferenças culturais, as nuances das pessoas, os aspectos positivos e também os negativos da sociedade. Uma semana não permite grandes avaliações, nem nenhum tipo de compreensão efectiva das coisas, mas é infinitamente melhor ir viajando assim do que não ter nenhum contacto com o mundo e sempre se assimilam coisas novas, se vêem coisas diferentes, se percebe que existem mesmo outras maneiras de fazer as coisas, formas de viver, formas de encarar.

Mas fundamentalmente viajar permite passar um tempo fora da nossa realidade, simplesmente à descoberta e isso é revigorante.

Bem seguem as minhas impressões sobre Londres:

O DESIGN

Uma das coisas que mais me chamou à atenção, defeito de profissão, foi a qualidade do design gráfico. Não existiam coisas mal feitas nem sequer razoáveis, tudo pendia entre o bom e o muito bom e tenho pena que cá não seja assim, mas acredito que a sensibilidade por parte das pessoas vá aumentar e que daqui a uns anos cidades com fachadas de lojas a parecerem mansões do terror só existam em fotografias.
Gostei particularmente de uma campanha institucional do metro, com base em ilustrações, e sobre os deveres cívicos relacionados com a utilização do mesmo.




 OS SUPERMERCADOS

Os supermercados também me deixaram um bocado maluca. De tão bonito o packaging das coisas fazia-nos parecer que estávamos num museu e não num supermercado. A quantidade de oferta de comida confeccionada ou pré-feita também era demonstrativa de que em Londres não se cozinha muito e a nós deu-nos muito jeito, visto que conseguimos fazer boas refeições, mais ou menos diversificadas, comprando essa comida a preços bastante aceitáveis dentro da nossa portuguesa realidade, já que comer em restaurantes não sendo impossível, tendia no geral para o inviável dado o custo de vida lá.



OS MUSEUS

Os museus são surpreendentes quer ao nível da arquitectura dos edifícios, quer ao nível do seu espólio.
Destaco o Museu da Ciência pelo seu carácter interactivo, por consequência extremamente lúdico e pedagógico em simultâneo, sendo que os conteúdos, alguns deles naturalmente complexos, eram facultados no geral de formas que se tornavam bastante compreensíveis e que divertem e ensinam tanto crianças como adultos.

Mas todos os que visitei sem excepção, apenas alguns dos principais, valeram muito a pena, e apresentam uma enorme vantagem em relação aos nossos e a outros por ai fora, as exposições permanentes na maioria dos grandes museus são gratuitas para todos o que significa que a cultura está acessível indiscriminadamente e isso é aplaudível.




O METRO

O metro surpreendeu-me, visto que é bastante antigo, fez em 2012, 150 anos. As estações no centro por onde passei são bastante pitorescas e isso foi inesperado, porque associamos em Portugal a tecnologia do metro a tempos recentes, a arquitectura é contemporânea e quando se viaja está-se mais ou menos à espera de ver mais do mesmo.




A NATUREZA

Outra coisa de que gosto sempre muito é de ver animais, nomeadamente aves que nunca vi, e nos parques de Londres há varias e claro esquilos, verdadeiros anfitriões da cidade.

O tempo é um ponto a desfavor, embora uma pessoa até lide bem com ele porque não tem outro remédio e até comece a apreciar levar com uns pingos de chuva, pingos esses dos quais os nativos no geral não fogem porque vão sendo pontuais e passageiros ao longo do dia, (fomos em pleno Verão) e tal como os nativos, deixávamos chover e continuávamos o nosso caminho sempre com muita esperança.

Depois de Barcelona, Londres é até agora a segunda cidade em que gostava de experimentar viver, era bom que um dia desse.