20.8.14

O dia em que percebi a solução

Este dia já se deu à uns tempos, à uns meses, poucos mas melhores. Foi num dia como os outros, nasceu o sol de manhã, acordei eu, para ainda mal dos meus pecados às vezes, para mais um dia na minha vida e aconteceu, percebi a solução, óbvia de resto, para um dos problemas: o de me sentir oprimida pelas minhas próprias coisas, pelas minhas recordações feitas em objectos, pelos erros que cometi materializados em objectos, pelas coisas que não têm serventia, consumadas em objectos.

A solução foi diminuir, deitando fora, oferecendo ou simplesmente colocando alhos com alhos separados dos bugalhos em sítios apropriados, diminuindo a poluição visual tão pão nosso de cada dia desde que me conheço.

Comecei a gostar do branco como nunca gostei, comecei a gostar do que é fluido e natural como nunca tinha gostado.

Deitei fora papeis, muitos papeis, passei revista nas revistas e escolhi o que me interessa, na verdade muito pouco até.

Arrumei pijamas com pijamas, de manga comprida e curta, bonitos e feios, quentes e amenos, e percebi que tinha muitos e que não precisava de mais.

Comecei a pensar na roupa. Um dia quando sair definitivamente de casa, ainda só saio por turnos, onde é que vou pôr a minha roupa toda que ocupa o espaço de 3 pessoas? Porque é que tenho a roupa de 3 pessoas? Mas que raio de obsessão diabólica essa pela roupa. (Ainda não me tentei exorcizar dela, mas acredito que vai acontecer)




Dei coisas que já não faziam sentido nenhum para mim, algumas accionavam inúmeros botões que já deviam ter sido arrancados do comando à muito tempo.

Percebi que tinha imensa coisa que não usava e que fui acumulando para usar ninguém sabe quando. Mas agora estou a usa-las, quero dar cabo delas, antes que elas dêem cabo da minha cabeça pesada.

Fui lendo e continuo a ler relatos de outras pessoas sobre a necessidade que sentiram nas suas vidas de simplificar, muitas falam de como é libertador, apaziguador, reabilitante, e de facto constatei que é verdade.

Cada coisa de que me desfaço, cada coisa a que decido dar um rumo é como que um nó que desfaço, ou melhor como uma pedra que tiro da mochila que sempre senti que carrego às costas, a mochila onde se leva a vida que nos calhou viver, e que todos carregamos todos os dias na verdade.

Provavelmente existe quem nunca vá sentir a necessidade de simplificar, ou quem nunca descubra que o ter, ter e mais ter era um dos problemas, que um problema nunca vem só!

Para mim a certa altura tornou-se claro que o era e bem estou a lutar contra ele, esse tal de "ter", já ganhei algumas batalhas, e conto ganhar a guerra, agora se calhar devia ir ali apagar umas newsletters diabólicas...