27.8.14

Loiro, moreno, careca, cabeludo, policia, ladrão soldado, anão, alto, bonito, feio, gordo, magro, burro, inteligente, sem coração?


No outro dia ia no metro, estavam 3 pessoas ao pé de mim. Um casal na casa dos 40 anos,  com a filha adolescente com uns 17 pelo menos. Bem vestidos, o sr de fato,  sra elegante,  filhaa na modaa, um classica família de bem.

Pátáti e entretanto entra um grupo de pessoas na carruagem, uma delas, um rapaz jovem com um ar tímido, pouco mais velho que a rapariga filha do casal, com provavelmente mais de 2 metros.

A rapariga que o vê 1º ao longe comenta - Hi! que rapaz gigante! - alto e a bom som, cheia de entusiasmo como se estivesse no jardim zoológico a ver um macaco a coçar o rabo.

Ao que os pais respondem:

- T-chi pois é!

O grupo não tendo outro espaço onde ficar, veio justamente encostar-se o lado do banco onde estava eu e estas criaturas.

Portanto não sendo para além de alto, surdo, muito provavelmente apanhou alguns laivos do dialogo que se seguiu entre os elementos desta linda família de classe média, tão educada, tão à 1ª vista respeitável.

O teor da mesma baseou-se nisto:

Deve ter 2 metros! Não! tem mais, deve ter 2 metros e 10 para ai. Já repararam nas mãos? Até bate com a cabeça no tecto!

Entretanto chega a altura do grupo sair, pela porta por onde tinha entrado, passando outra vez pela rapariga, a qual muito assustada remata o tema com:

- Ai até me vou encostar se não ainda sou esmagada se cai para cima de mim!

Apreciações sobre o acontecido:

Situações destas o mundo tem mais do que todas as formigas juntas num formigueiro, presencia-las ao vivo e a cores é sempre surpreendente para seres humanos a tender para o mentalmente são, de carácter bem formado.

Consigo conceber adolescentes que nutrem muitas vezes pouca empatia efectiva pelos outros, que sejam insensíveis e indiscretos, acho que em maior ou menor grau faz parte da etapa da vida em que se encontram, onde o mundo gira à sua volta, o seu sofrimento é o mais pulsante do mundo e a frustração com o cosmos maior do que eles próprios, um mundo onde todos os seus desejos devem caber e onde se aspira sofregamente à perfeição.

Custa-me aceitar que muitos desses adolescentes nunca vão evoluir para pessoas decentes, tal como os pais da rapariga não evoluíram pelo menos no que concerne ao respeito pelos outros.

Pessoas decentes adultas evitam comentar levianamente pessoas no geral, e nunca o fazem a alto e a bom som sem filtros num espaço público e sem as conhecerem.

Pessoas adultas decentes não são crianças, e quando vêm uma coisa fora do comum, sabem controlar-se, não abrem a boca, não soltam onomatopeias, não ficam hipnotizadas, vêm e digerem, continuam a sua vida sem interferir com a existência do que lhes causou estranheza. Porque de resto como todos sabemos primeiro estranha-se, depois entranha-se e se esquece porque se estranhou.

Pessoas adultas decentes nunca apontam e nunca tiram fotografias a pessoas com o que quer que seja, que não seja tão comum de se ver.



Pessoas adultas decentes quando os filhos fazem apreciações infelizes ou acções mal educadas, insensíveis ou desrespeitadoras, corrigem-nos. Explicam a razão de ser de estarem a inibir o comportamento. Apelam ao respeito pelos outros, ao bom senso, à empatia. Fazem uma pergunta: - E se fosses tu?

Pessoas adultas decentes sabem que os outros têm sentimentos, traumas, inseguranças, problemas, alguns já resolvidos outros por resolver e que um comentário irreflectido, arremessado sem querer até , de animo leve, pode fazer doer tanto como uma facada, pode minar a pouca confiança que a pessoas têm, pode ter repercussões que não imaginamos, por isso engolem o comentário que lhes assolou o espírito e continuam a sua vida decente.

Pessoas adultas decentes se querem fazer algum comentário mais superficial ao qual não conseguem resistir, sobre alguém porque até as pessoas decentes são imperfeitas, esperam pelo menos que a pessoa já não as possa ouvir.


Segue um artigo sobre um rapaz chamado Jonathan Novick tem 22 anos e possui um tipo de nanismo e que gravou momentos do seu dia para mostrar como é viver na sua pele.








Bem o que se conclui é em todos os sacos feitos de pele onde bate um motor chamado coração vive uma pessoa. E as pessoas são todas diferentes de nós mas também são exactamente iguais.

E um dia calha a todos a circunstância em que o -E se fosse eu? não se coloca porque somos nós.