20.9.14

A perfeição nos Homens só existe nas suas criações


Se há dinheiro bem gasto é aquele que se despende para assistir a um concerto, ver uma peça de teatro, rir e suspirar num espectáculo de circo, sem animais naturalmente, amestrar animais selvagens é uma selvajaria.

Enfim, ir a este tipo de "acontecimentos" é  assimilar a beleza do homem no seu estado mais genuíno, transcendente, apaziguador e fomentador de esperança. Porque apesar de termos entre nós das criaturas mais atrozes que já pisarem a face da terra, de fazermos parte da espécie desumana, os bons compensam os maus, a beleza de existirem pessoas capazes de fazerem nascer algo melhor e maior que elas ameniza o resto do que nos apraz saber sobre o que se passa neste bocado de nada, pelo qual tantos matam e morrem, perdido no meio do universo, insignificante como todos nós.

Isto que os maus, os bons, os nojentos e os queridos não passamos apenas de matéria irrelevante.

Mas ah a música, a dança, a pintura, e tudo resto que consuma o talento das pessoas em matéria também naturalmente irrelevante, mas irrelevantemente talento criado pelo amor, pelo esforço, pela perseverança.

Sempre que saio de um espectáculo, e até agora nunca sai desgostosa, sai exaltante, feliz, contente, aos saltinhos e piparotes, com mais alento para levar a vida para a frente, porque há vida para além da degradação, há vida para além da mediocridade, há vida além da tvi e do correio da manhã, (Lá está ela a bater nos ceguinhos de sempre!) há vida para além do escárnio e do maldizer, se há vida para além da morte isso não sei dizer. Vida para além da maldade é que infelizmente muitas vezes não há.

Acredito que a cultura nos pode salvar, acredito que ensinar a ver a beleza que está às frente dos olhos de todos pode mudar o mundo.

Por mais que tenhamos de poupar, gastar dinheiro para ver arte, desde o artesanato da festa da cidade, ao concerto de musica clássica no largo do teatro, nunca nos deve pesar na consciência, à que ir, à que ver, que sentir e que reflectir, à que deixar sermos tocados pela mão do esforço, da vontade e do sonho. (Acho que estou a ficar tão enjoativa quanto a Ana Rita Clara na rubrica do Metro, quem já não lê a rubrica nesse malogrado dia vai perceber vai perceber, desculpem lá mas há temáticas que me emocionam).

E nas fases em que o dinheiro não nos assiste, isso não é desculpa para a inércia porque cada vez mais nos são apresentadas as mais diversas actividades, espectáculos, mostras de forma gratuita.

Deixo-vos com uma música, assim só porque sim, do espectáculo do Bruno Nogueira e da Manuela Azevedo que vi esta semana. "Deixem o pimba em paz!" que nos ensina a deixar os preconceitos em casa, porque existem alguns que são mesmo prescindíveis.